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Livro que em mim guardei de menino

Necessito dormir urgente,
destilar a dose diária de realidade!
Não sei se eu procuro
este frio na barriga.
Quero a primavera suave
sem os receios que ora encontro.
Eu estou num livro que não leio,
estou numa historia que não conto.
Não penso que me convém
a idéia do inconveniente.
Estou de voyeur,
te olhado e te escutando
eu estou tentando imaginar o que você pensa.
E continuo esperando a primavera.
Mas, agora estou achando que esta muito húmido.
Estamos sempre insatisfeitos.
Eu sempre escrevendo um livro,
um livro que nunca começo.
Eu vou lendo um que nunca termino.
Traço uma poesia
com um leve embaraço,
desato de leve, de longe germino.
A poesia que em mim guardo barato,
A alma que em mim guardei de menino.

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