SOMBRA!

Finalmente consegui encontrar uma descrição fidedigna à ideia que tenho de ti. Deve ser um inferno, odiar e ao mesmo tempo invejar tanto alguém, não? Fico me perguntando que tara maluca será essa que tu tens, meu pobrezinho, que ficas a seguir meus passos como um garoto frouxo e alucinado, tentando imitar alguma coisa que, mesmo sem entender, ele sabe que dá certo. Será mesmo que nesta tua concepção de vento, não trates a mim, de uma forma tão pessoal, tão dirigida, que no fundo não estejas revelando a inveja que te causo?


Pois bem, facilitarei para ti, se o tesouro que tu procuras, foi usado e recusado, desprezado um milhão de vezes por mim, queres agora usar o meu tesouro, para de alguma forma tentar empatar um jogo, que estás fadado a sempre perder?


Tenha um pouco de paciência, como disse antes, encontrei a descrição, mas se quiseres sabe-la, terás que entender um pouco do que penso dessa tara alucinada que tens em tentar, como um cientista louco, voltar ao passado e apagar o que sequer conheces, o que na verdade, sabes apenas de uma parte nada real, uma parte louca, digna da loucura de quem te conta.


Pois bem, pobre menino pobre, se eu fosse aqui tentar sugerir alguma coisa, diria para ti que como dizem milhões de provérbios, é inadiável a espera, e incansável a dor de que procura e nunca encontra, o que na verdade só existiu no passado. Há coisas que não voltam, flechas, palavras, cápsulas, enfim, nada recua, da mesma forma não recua a dor de quem um dia foi estrela e hoje é desprezo. Terás que conviver com isso, afinal, se o teu ódio por mim, for caminhar lado a lado com o que tens de mais bonito (e é isso que dizem do amor), então estarás fadado a nunca me esquecer.



Sim, porque o amor tem destas coisas, pode ser o que for, mas coisas que jamais esquecemos daqueles que um dia amamos. Me lembro bem de uma antiga namorada, que outras vieram depois, mas jamais a esquecerei, porque dela sobraram as flores que mesmo sem plantar hoje posso colher. Pessoas memoráveis fazem isso conosco, nos fazem lembrar para sempre de que elas existem, lindas, desejadas, queridas, promissoras.


Então, garoto, enquanto tentares me afrontar, com imagens vãs, de um amor plástico, como tuas obras, só encontrará cada vez mais o desgosto de saberes que não lugar para ti, no coração em que eu estou. Possivelmente já tenhas provado esse dissabor, porque só assim para justificar teu esperneio infantil, e tuas queixas de medroso. Mas lembre-se, querido, todo menino um dia cresce. E esta dor que sentes hoje, não está nem perto de terminar, ela está só começando.


Então, meu pobre menino pobre, pra começar a finalizar, deixo-te um singelo conselho. Acostuma-te com a dor, pois sou eu quem a causa. Brincando de Deus, posso ver o futuro, onde tu sequer conheces o passado. Acostuma-te com a ideia de que meus amores são eternos e insubstituíveis e mesmo quando brutos, extremamente prazerosos.


E pra não dizer que te menti, fica aqui a ideia precisa da qual falei anteriormente: És uma sobra e não podes fazer nada para que isto mude.

Comentários

Atiradora disse…
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