Texto Perdido.

Como eu queria que aquele texto não tivesse se perdido. Coisa que escrevi num instante com tanta inspiração. Falava de tua infância, da coisa lúdica de ter você. Falava do amor que sentia por você existir.

Falava de música de amigos. Música que se aprende a gostar, com gente que a gente gosta. Música que falava das coisas do mar. Mas de verdade, de verdade, o que eu dizia mesmo era de ti.

Falava dos peixinhos azuis, assistidos à exaustão. Das princesas e contos de fada e das brincadeiras que fazíamos. Falava das piruetas e de luas, de cetim, de brincar de bonecas, mesmo sendo menino. Na verdade, brincava de ter uma boneca.

Coisa que escrevi num instante, e que lendo, fiz alguém chorar. Alguém que nem te conhecia, mas sentia que aquele amor era teu. Alguém que como eu, tateava atrás de um sentimento. Mas por não achar em mim, talvez também não tenha encontrado em si.

Aquela saudade doce, passou. Agora ela é amarga e queima. Vem seguida de uma insegurança. Medo de perder você. Mas perder, que eu digo, é perder de vista. É perder a possibilidade de te dar uma chance de ser alguém especial.

Medo de perder a inspiração, de num instante, escrever um texto lindo. Lindo de saudade. Triste de fazer chorar. Isso é coisa que agente aprende aprendendo a amar. E aprendendo a amar assim, é que hoje eu penso: Como eu queria que aquele texto não tivesse se perdido.

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