Se já não me sinto mais literal, é sinal de que algo por dentro andou secando.


Eu fico imaginando se tudo continuasse caminhando exatamente como costumava ser. Acabo acreditando que a felicidade estaria muito mais fácil e prática. Contudo, em algum lugar do passado, resolvi seguir os passos errados, e assim, passei a adotar um caminho, completamente escuso, totalmente novo e diferente. Acontece que por onde andei, não existia, esses precipícios, essas valas, que trouxestes, no teu caminhar.


Acredito mesmo que era muito mais puro e inocente em beber das fontes que costumava usufruir. Contudo, se incumbiu de contaminar apenas uma delas, a nascente, e transformastes em turva, toda a água de que outrora fora cristalina.


E este bicho indomável, esta alma guerreira, envenenado por um sangue, uma sugeira estranha (coisa de gente que não merece ser gente), adoeceu, mesmo depois de sentir o gosto de um amor puro e singelo. De um amor lúdico. Mesmo depois de querer ser criança, pra poder brincar com a criança, que mais tarde viera a ser roubada.


Mas cabe ao coração perdoar e à alma embrutecer. Aparentemente é o que a vida espera de mim. Mas não tenho vocação pra perdoar, nem sou grande o suficiente pra esquecer. Assim, como que rogando pragas ao vento, sigo e seco, por um jardim de flores falsas, de plástico. Acho que queria anunciar ao mundo o quão inverídicas são tuas rosas.Acontece porém, que este perfume barato, que sempre cobriu a tua pele, ludibria e envenena, talvez tenha sido ele a contaminar as água. E se não é o cheiro, um dos mais tocantes aos sentidos, o que seria então? O paladar?Se assim for, posso dizer que provei do gosto amargo desta tua alma egoísta.

Comentários

As mais lidas.

Eu vou contar! - Je raconte à tout le monde!

Um carta de noel.