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Mostrando postagens de Outubro, 2008

Texto Perdido.

Como eu queria que aquele texto não tivesse se perdido. Coisa que escrevi num instante com tanta inspiração. Falava de tua infância, da coisa lúdica de ter você. Falava do amor que sentia por você existir.

Falava de música de amigos. Música que se aprende a gostar, com gente que a gente gosta. Música que falava das coisas do mar. Mas de verdade, de verdade, o que eu dizia mesmo era de ti.

Falava dos peixinhos azuis, assistidos à exaustão. Das princesas e contos de fada e das brincadeiras que fazíamos. Falava das piruetas e de luas, de cetim, de brincar de bonecas, mesmo sendo menino. Na verdade, brincava de ter uma boneca.

Coisa que escrevi num instante, e que lendo, fiz alguém chorar. Alguém que nem te conhecia, mas sentia que aquele amor era teu. Alguém que como eu, tateava atrás de um sentimento. Mas por não achar em mim, talveztambém não tenha encontrado em si.

Aquela saudade doce, passou. Agora ela é amarga e queima. Vem seguida de uma insegurança. Medo de perder você. Mas perder, qu…

Um dia

Sinto idéias solitárias, únicas, duma claridade plena.
Enxergo a música ser cantada, até ser sonhada, a enxergo.
Enxergo-a falada.
Vejo o dia expressar, sinto-o se fechando,
sua loucura clássica a dançar com o tempo,
Toco o seu frio.
Tudo em torno de mi em determinados instantes
são apenas folhas a cair lentamente e acumular-se
como lixo no chão.
Águas barrentas correm na minha íris
e eu suo a tua umidade
suo tua mão.
Suo tua voz soprando o vento no meu ouvido
numa brisa lenta, suave,
úmida.
És o dia aqui, em forma de tarde de primavera
chovendo nos meus sentidos,
transpirando tudo o que sinto.
É como a noite:
Quente e lenta.
De repente pisou o meu chão
E pôs por terra tudo que não havia ainda
E te vi minha como outrora desejei, desejou e não foi
E foi preciso tanta distancia pra nos unir outra vez
Só que desta vez o espaço não deixou.

Ainda que não tenha ido embora ainda
de antemão já posso te ver partir
E eu que nunca imaginei ser teu de novo
Me perdi pra você
Te vi perdida pra mim
Dividindo o meu espaço, o meu sono

Dividindo-me em dois lugares outra vez
Procurando me encaixar aqui e ali
Dentro das minhas próprias idéias
Vi duas vidas que sempre fizeram parte de uma
Uma vida que se divide em duas partes

Ainda que sempre ausente
A partir de agora será mais ausente
Mais distante
E te verei sempre pronta pra dormir

Ficarei sempre a me perguntar
Quantos carnavais ainda faltam,
quantos ainda restam

Se toda folia for sempre essa paz interior
Então quero que a vida se torne uma festa
Aonde nunca haja uma quarta-feira de cinzas.
Como poderia perder a luz dessa lua, que clareia azulando a folha nua.
Como poderia não murchar no instante em que recordo.
Agora cego, escrevo tateando o papel
Quem sabe acho alguma idéia perdida?
Eu sou assim com minha loucura desconcertada.
Gosto de me procurar.
Gosto de noite de lua com café, cigarra, sem carro.
Gosto odiando o chão que agora sento.
Os garotos na rua me encabulam, jamais seria assim.
Procuro entender o que está acontecendo.
Na verdade procuro entender muita coisa, mas poucas eu consigo.
O café mesmo frio, me ajuda, me dá forças.
Me sinto...
Diria vazio.
Uma completa crise com a vida.
Ao menos uma coisa entendo perfeitamente:
O valor que determinadas pessoas têm para mim.
Imagem
Se já não me sinto mais literal, é sinal de que algo por dentro andou secando.

Eu fico imaginando se tudo continuasse caminhando exatamente como costumava ser. Acabo acreditando que a felicidade estaria muito mais fácil e prática. Contudo, em algum lugar do passado, resolvi seguir os passos errados, e assim, passei a adotar um caminho, completamente escuso, totalmente novo e diferente. Acontece que por onde andei, não existia, esses precipícios, essas valas, que trouxestes, no teu caminhar.

Acredito mesmo que era muito mais puro e inocente em beber das fontes que costumava usufruir. Contudo, se incumbiu de contaminar apenas uma delas, a nascente, e transformastes em turva, toda a água de que outrora fora cristalina.

E este bicho indomável, esta alma guerreira, envenenado por um sangue, uma sugeira estranha (coisa de gente que não merece ser gente), adoeceu, mesmo depois de sentir o gosto de um amor puro e singelo. De um amor lúdico. Mesmo depois de querer ser criança, pra poder brincar c…